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14.8.14

Deus e o Mal na Criação

Pessoas descrentes costumam fazer-se perguntas a respeito da maneira como Deus deveria agir em determinadas situações, colocando a pré-condição de que Ele deveria necessariamente, para ter direito a existência, agir de uma determinada maneira. Caso não parecesse agir daquela maneira pré-determinada por eles então Ele não seria Deus ou, simplesmente, não existiria. Seu argumento, colocado na forma de um silogismo clássico, fica mais ou menos assim:

1) Se Deus existisse realmente, Ele teria criado o mundo e o ser humano de tal e tal maneira;
2) O mundo e o ser humano não são de tal e tal maneira;
3) Logo, Deus não existe.

Ou o argumento pode referir-se diretamente à personalidade de Deus, afirmando que para que Ele fosse Deus deveria agir de acordo com certos padrões. O argumento apresenta-se, silogisticamente, mais ou menos da seguinte forma:

1) Se Deus é bom, então, Ele não deveria criar um Universo onde o mal existe;
2) O mal existe no Universo, incontestavelmente;
3) Logo, Deus é mau, ou Ele não é onipotente.

Estes argumentos são falhos desde o inicio porque limitam Deus, impondo-lhe que aja dentro dos limites colocados pelos homens criados por Ele, determinando que para ser reconhecido como Deus deva ser bom de acordo com os padrões daquilo que eles acreditam que seja bom. Mas, e daí se Deus fosse mau? Em que isto diminuiria a sua divindade? Devemos é agradecer-lhe por ser bom, e sentirmo-nos aliviados por isto. A definição de divindade não está, na sua essência, ligada ao bem absoluto. O mal como forma de agir, como possibilidade, sempre existiu, sendo coetâneo com a existência do próprio Deus. No entanto, esta existência não é real a não ser como resultado de qualquer ação. Todo ser, inclusive o próprio Deus, deve fazer por si próprio uma escolha a respeito de suas ações, se elas serão determinadas por bons ou maus motivos. Afirmar o contrário seria negar o livre-arbítrio de Deus, o que somente faz sentido se o Deus em questão for apenas uma certa energia ou tendência universal, como o Deus imaginado pelo filósofo Espinoza. Pode-se afirmar que Deus criou a possibilidade do mal ser praticado por outros seres além dele mesmo no momento em que criou os seres dotados de livre-arbítrio. Portanto, Deus não criou o mal, mas cada ser o cria quando decide agir de forma maligna. O mal em si não existe, ele é apenas uma conseqüência de ações conscientes.

O fato de Deus dever decidir sobre criar o universo com ou sem a presença do mal somente prova que Ele possui ilimitado livre-arbítrio. Mas os descrentes pretendem limitar Deus afirmando que Ele só poderia, para ser Deus, criar um universo sem a presença do mal. Entretanto, uma vez que Ele teve de fazer uma escolha é óbvio que isto significa que Ele poderia criar o universo daquela forma, com o mal presente, sem deixar de ser Deus. Ou Ele deixaria de sê-lo no instante em que o fizesse? Conforme o raciocínio dos ateus a coisa se passaria mais ou menos assim. Se Deus não tivesse que fazer uma escolha isto significaria que Ele seria pré-determinado e limitado, uma vez que sempre existiria e continuaria existindo a possibilidade de o mundo ser criado com a presença do mal. Neste caso Ele não possuiria o livre-arbítrio. Entretanto Deus não criou um universo cheio de maldade e para que a maldade fosse conspícua nele, que é o que os descrentes estão dando a entender com seus argumentos. Mas Ele o criou habitado por uma classe de seres conscientes, dotados de livre-arbítrio.

O mal é uma forma de agir e suas conseqüências são vistas como malignas. O mal que existe no universo não é o próprio mal em si, o qual é apenas uma forma de agir e não foi criado por Deus, mas sim as suas conseqüências, que são malignas. Estas conseqüências existem porque Deus criou seres humanos a sua semelhança, possuidores de livre-arbítrio, os quais escolheram agir de forma errada e ocasionaram situações desagradáveis. Para que o mal não existisse Deus deveria ter criado os homens desprovidos de livre-arbítrio, ou melhor, providos de um determinismo para fazer o bem, da mesma forma como um escritor humano poderia escrever um livro no qual os seus personagens só praticassem o bem - pois seria ele mesmo quem lhes prescreveria as falas e as ações. Neste caso, as criaturas de Deus seriam apenas personagens. Mas não era esta a sua intenção, e devemos agradecer-lhe por isto. Acaso algum ateu preferiria ter sido criado sem livre-arbítrio? Parece que é isto o que eles gostariam que houvesse acontecido, porque esta é a única maneira de garantir que o mal não seria praticado no mundo. Mesmo assim estes seres pré-determinados a fazerem o bem deveriam necessariamente habitar um universo onde não houvesse nenhum tipo de escassez, para que todos os seus desejos e necessidades fossem atendidos sem restrição; porque não sendo assim, e estando eles destinados a só fazerem o bem, surgiriam situações em que dois ou mais deles deveriam decidir sobre a questão de quem possuiria um determinado recurso necessário, e estando-lhes interdita a luta pelo recurso em questão alguém deveria renunciar em favor dos outros, o que lhe ocasionaria sofrimento. E eis aí o mal mostrando a sua face na superfície de um mundo onde só deveria haver o bem!  Devemos, portanto, agradecer a Deus por ter-nos criado como somos e queixarmo-nos de nós mesmos pela maldade que existe no universo.

Entretanto Deus criou alguns seres sem o livre-arbítrio, que são os animais. No seu lugar dotou-os de instinto, de acordo com o qual eles executam todas as suas ações. Observando-os podemos ver que o mal não deixa de existir porque eles vivem de forma tão determinada, mas o sofrimento faz parte de suas existências de forma até mais intensa do que o que acontece entre os seres humanos dotados de livre-arbítrio. Dir-se-á que tal fato se dá em decorrência da luta pela sobrevivência e que Deus deveria ter criado um universo onde houvesse abundância de recursos para o desfrute de suas criaturas, sem escassez e sem necessidade de confrontos, e onde o alimento de um não fosse a própria carne do outro. Ainda assim, pelo que conhecemos da natureza humana, podemos acreditar que outros fatores além da escassez levariam as pessoas a se confrontarem, principalmente a questão do orgulho e da desobediência, a qual, de acordo com a própria Bíblia, foi a causa da revolta dos anjos contra Deus, como Milton tão bem expressou em seu épico "O Paraíso Perdido", e também, ainda de acordo com a Bíblia, a causa da queda de Adão e Eva.

Na verdade os argumentos dos ateus na sua forma clássica não se dirigem a negação da existência de Deus, o que se percebe claramente quando os estudamos com a devida atenção. O que eles estão reivindicando, na verdade, é que Deus não é justo por haver criado um universo onde não existe justiça perfeita. E, sendo assim eles não teriam que lhe obedecer automaticamente nem adorá-lo. Julgam-no um déspota onipotente. Os ateus reivindicam que

1) Deus para ser Deus e merecer a sua obediência e adoração deveria ter criado um universo onde os seres fossem absolutamente pré-determinados a só fazerem o bem, e onde não houvesse a mínima escassez de nenhum recurso destinado a satisfazer todos os seus desejos; pelo contrário, onde houvesse abundância destes recursos. Ou que

2) Havendo criado um universo onde suas criaturas possuíssem o livre-arbítrio e onde os recursos para a satisfação de todas as suas vontades não fossem ilimitados, qualquer mal que naturalmente se seguisse de tal arranjo e que não fosse conseqüência de causas naturais (catástrofes e acidentes, por exemplo) fosse imediatamente julgado e corrigido por Ele. Ou seja, um universo onde a justiça divina fosse conspícua e se seguisse sem demora a injustiça cometida.

Como, relativamente ao ponto 1, é possível afirmar que nem mesmo os ateus mais ferrenhos gostariam de terem sido criados como seres absolutamente determinados a só fazerem o bem, pois sabem avaliar, tanto quanto aqueles que louvam a Deus por tal coisa, o valor de seu  próprio livre-arbítrio, concluímos que suas questões contra a admissão da existência de Deus tem a ver com o fato de eles o julgarem injusto por causa do mal que existe no universo, por pensarem que Ele não lida com este mal da forma adequada e, portanto, não pode ser aceito como seu Deus.

Raciocinam assim: "Eu, se fosse Deus, lidaria com o problema do mal de tal e tal maneira. É óbvio que Deus lida com o problema do mal, se é que o faz, de forma bem inferior ao que eu mesmo o faria. Portanto eu sou mais justo do que Deus. Logo, não devo considerá-lo como sendo Deus, se é que Ele é mesmo Deus, o que, se for verdade, só é possível por causa do seu poder superior (contra o qual estou justificado em me rebelar se surgir uma oportunidade).

Os descrentes não levam em consideração a maneira de Deus agir, fazendo uma avaliação superficial da sua atuação para poderem desqualificá-lo como Deus. Não se perguntam se Ele tem um plano e um propósito com este universo sendo da maneira como é. São imediatistas, querem a perfeição no presente para poderem gozar da criação sem problemas. Exigem que Deus os tenha criado (coisa que Ele não era obrigado por nada a fazer) para uma vida amena e prazerosa num universo sem a presença do mal ou onde houvesse justiça imediata e perfeita. Neste seu universo ideal eles mesmos decidiriam o que fosse melhor para si, criariam suas próprias leis e fariam o que lhes aprouvesse. E Deus a tudo condescenderia, seu único papel tendo sido o de criá-los para uma existência agradável.

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