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16.8.14

A Inteligência no Universo


Suponhamos um número limitado de elementos interagindo continuamente. Por exemplo: uma praia com algumas rochas próximas da água. Os principais elementos participantes da ação, neste caso, serão os seguintes: a água do mar, as rochas, a areia da praia e o vento. Contando com apenas estes elementos podemos deduzir da ação de uns sobre os outros várias conseqüências lógicas, as quais se sucederiam no decorrer de um determinado período de tempo, umas após as outras num processo contínuo de causa e efeito: o vento agitaria a água formando ondas que se quebrariam na praia atingindo as rochas; estas, finalmente, seriam plenamente desintegradas; logo a areia ao alcance da água tornar-se-ia, pelo movimento constante e atrito a que estaria submetida, cada vez mais fina e misturar-se-ia com a água, que ficaria turva. Todas estas conseqüências estão logicamente supostas nos elementos primeiramente considerados. Nada aconteceria por acaso. Admitindo-se então que qualquer fato acontecido no universo teve como ponto de partida um certo número de elementos interagentes que o tornaram possível através da atuação da lei de causa e efeito verificamos que tudo procede de algo, de uma determinada situação anterior e está, por este motivo, existencialmente justificado naquilo de que procede. Pois é da interação de um certo número de elementos dotados de qualidades enérgicas que se desenvolvem, aparentemente, todas as possíveis circunstâncias universais. Desta maneira temos como conteúdo a priori da existência a matéria e o movimento, ou energia. Estas duas substâncias podem ser compreendidas sob uma mesma designação, ou seja: matéria animada.

Todas as circunstâncias, sem exceção, inscrevem-se num padrão de vir-a-ser logicamente suposto a partir de suas situações originais, o que elimina a validade da concepção comum de acaso, uma vez que qualquer assim chamado “acaso” depende da existência de certas condições anteriormente presentes configuradas como matéria animada. Por outro lado, a partir de um certo nível dos acontecimentos concorrentes é praticamente impossível analisar as causas de um fato determinado, dada a quantidade destas que cooperaram para que ele viesse a  acontecer. Como desde sempre vem os elementos interagindo e gerando por si mesmos situações que são sempre dinâmicas e evolucionárias sem que o ser humano participe determinantemente do processo, e sem que tenha consciência das condições geradoras de cada acontecimento, chamamos as vezes de acaso ao que resulta desta série de desenvolvimentos. Logo, e na verdade, “acaso” é como denominamos qualquer fato isolado acontecido à partir da interação de elementos e forças naturais, independentemente da atuação humana.

O ser humano tem, entretanto,  a prerrogativa de recombinar os elementos que estão a sua disposição no ambiente em que vive, agindo ele próprio como uma força natural dotada de vontade e gerando situações complexas, porém de um tipo diverso daquelas que acontecem por si mesmas, ou seja, daquelas que contam apenas com a pura e simples interação natural dos elementos energizados. Desta forma podemos reconhecer facilmente se um objeto ou situação determinados devem sua existência à ação de algum ser consciente, primeiramente devido a sua complexidade, que é característica  nestes casos. Por outro lado, a interação natural (que é como estaremos denominando, daqui por diante, o processo assim chamado de “acaso”) também pode, no transcorrer de um prazo consideravelmente longo e com o concurso de um grande e variado número de elementos, gerar novas situações dotadas de um certo nível de complexidade. Tais situações, no entanto, tem a sua concretização restringida pela lei das probabilidades, a qual rege as interações naturais. Isto quer dizer que, a par de sua raridade, a partir de um certo nível de complexidade não é possível que surjam novos elementos e a situação se torne mais complexa. Ao ser atingido tal nível e deparando-nos com qualquer objeto ou situação que ultrapassa tais possibilidades constatamos que, neste caso, algo de inusitado, distinto da simples interação natural, esteve operando, algo que só pode ser descrito com o uso da palavra “inteligência”. Mas apesar do fato de que sempre ligamos a operação da inteligência com a atuação da mente humana, encontramos no universo exemplos inumeráveis de situações que apresentam alto nível de complexidade, muito além da mais remota possibilidade da simples interação natural, nos quais a inteligência humana não teve, indubitavelmente, qualquer participação na sua concretização.

Além disto, apesar da funcionalidade das coisas existentes, de sua justificação em seus precedentes, tal fato não significa que todas elas devessem necessariamente existir, como se, por exemplo, Van Gogh “devesse” pintar uma cadeira amarela num certo dia de sua existência em Arles. Pois ele poderia, perfeitamente, ter selecionado qualquer outro tema como objeto de sua arte naquele momento. Tal fato, entretanto, não diminui a funcionalidade da obra efetivamente realizada nem a desjustifica diante dos elementos que a precederam e tornaram possível. Trata-se, neste caso, de uma escolha consciente. Deparamo-nos aqui com uma linha demarcando a fronteira entre a interação natural e a opção inteligente: com a primeira possibilidade tudo acontece necessariamente. Com a segunda, tudo depende da escolha de um ser consciente. Logo, ao nos vermos frente a resultados práticos que só podem ser atribuídos à esta última, pensamos imediatamente no homem criativo como seu agente eficaz. No entanto, também neste caso existem exemplos numerosos de objetos e situações complexas no universo anteriores e além do alcance da ação puramente humana, objetos e situações que não tinham necessariamente que existir e que apontam para a necessidade de uma escolha consciente - tal como a cadeira de Van Gogh.

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