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17.9.14

Memória de Elefante

    O pastor estava visitando uma igreja e disseram-lhe que havia ali um homem com uma memória excepcional, o qual não esquecera nenhum fato de sua vida inteira. O pastor quis confirmar o fato, e, mandando chamar o irmão, perguntou à queima-roupa:
    - O que você comeu no almoço a dez anos atrás, nesta mesma data?
    Ele respondeu, sem pestanejar:
    - Bife e arroz.
    Alguns anos depois o pastor viajou para o Japão, indo visitar uma igreja que um outro pastor, seu conhecido, havia fundado naquele país. Para sua surpresa, encontrou o irmão de memória excepcional assentado no meio da congregação. Ele aproximou-se, e exclamou:
    - Mas como?!
    - Com batatas fritas.

Palavras Cruzadas Evangélicas 144

Caça Palavras Bíblico 144

16.8.14

Deus Existe? O Que e Quem é Ele? - Introdução


Introdução


Neste texto proponho-me a demonstrar, cabal e principalmente, não a existência pura e simples de Deus, se Ele existe ou não, mas o que considero ser a premissa principal para a realidade deste fato, qual seja, a possibilidade mesma da Sua existência. O raciocínio a ser desenvolvido tem a seguinte forma silogística clássica:

a) É possível que Deus exista; posso, portanto, procurar as provas de Sua existência em paz com as exigências de minha racionalidade.
b) Encontro uma prova da existência de Deus que satisfaz as exigências da minha racionalidade;
c) Logo, Deus existe.

:: Parte 1
:: Parte 2
:: Parte 3
:: Parte 4

A Inteligência no Universo


Suponhamos um número limitado de elementos interagindo continuamente. Por exemplo: uma praia com algumas rochas próximas da água. Os principais elementos participantes da ação, neste caso, serão os seguintes: a água do mar, as rochas, a areia da praia e o vento. Contando com apenas estes elementos podemos deduzir da ação de uns sobre os outros várias conseqüências lógicas, as quais se sucederiam no decorrer de um determinado período de tempo, umas após as outras num processo contínuo de causa e efeito: o vento agitaria a água formando ondas que se quebrariam na praia atingindo as rochas; estas, finalmente, seriam plenamente desintegradas; logo a areia ao alcance da água tornar-se-ia, pelo movimento constante e atrito a que estaria submetida, cada vez mais fina e misturar-se-ia com a água, que ficaria turva. Todas estas conseqüências estão logicamente supostas nos elementos primeiramente considerados. Nada aconteceria por acaso. Admitindo-se então que qualquer fato acontecido no universo teve como ponto de partida um certo número de elementos interagentes que o tornaram possível através da atuação da lei de causa e efeito verificamos que tudo procede de algo, de uma determinada situação anterior e está, por este motivo, existencialmente justificado naquilo de que procede. Pois é da interação de um certo número de elementos dotados de qualidades enérgicas que se desenvolvem, aparentemente, todas as possíveis circunstâncias universais. Desta maneira temos como conteúdo a priori da existência a matéria e o movimento, ou energia. Estas duas substâncias podem ser compreendidas sob uma mesma designação, ou seja: matéria animada.

Todas as circunstâncias, sem exceção, inscrevem-se num padrão de vir-a-ser logicamente suposto a partir de suas situações originais, o que elimina a validade da concepção comum de acaso, uma vez que qualquer assim chamado “acaso” depende da existência de certas condições anteriormente presentes configuradas como matéria animada. Por outro lado, a partir de um certo nível dos acontecimentos concorrentes é praticamente impossível analisar as causas de um fato determinado, dada a quantidade destas que cooperaram para que ele viesse a  acontecer. Como desde sempre vem os elementos interagindo e gerando por si mesmos situações que são sempre dinâmicas e evolucionárias sem que o ser humano participe determinantemente do processo, e sem que tenha consciência das condições geradoras de cada acontecimento, chamamos as vezes de acaso ao que resulta desta série de desenvolvimentos. Logo, e na verdade, “acaso” é como denominamos qualquer fato isolado acontecido à partir da interação de elementos e forças naturais, independentemente da atuação humana.

O ser humano tem, entretanto,  a prerrogativa de recombinar os elementos que estão a sua disposição no ambiente em que vive, agindo ele próprio como uma força natural dotada de vontade e gerando situações complexas, porém de um tipo diverso daquelas que acontecem por si mesmas, ou seja, daquelas que contam apenas com a pura e simples interação natural dos elementos energizados. Desta forma podemos reconhecer facilmente se um objeto ou situação determinados devem sua existência à ação de algum ser consciente, primeiramente devido a sua complexidade, que é característica  nestes casos. Por outro lado, a interação natural (que é como estaremos denominando, daqui por diante, o processo assim chamado de “acaso”) também pode, no transcorrer de um prazo consideravelmente longo e com o concurso de um grande e variado número de elementos, gerar novas situações dotadas de um certo nível de complexidade. Tais situações, no entanto, tem a sua concretização restringida pela lei das probabilidades, a qual rege as interações naturais. Isto quer dizer que, a par de sua raridade, a partir de um certo nível de complexidade não é possível que surjam novos elementos e a situação se torne mais complexa. Ao ser atingido tal nível e deparando-nos com qualquer objeto ou situação que ultrapassa tais possibilidades constatamos que, neste caso, algo de inusitado, distinto da simples interação natural, esteve operando, algo que só pode ser descrito com o uso da palavra “inteligência”. Mas apesar do fato de que sempre ligamos a operação da inteligência com a atuação da mente humana, encontramos no universo exemplos inumeráveis de situações que apresentam alto nível de complexidade, muito além da mais remota possibilidade da simples interação natural, nos quais a inteligência humana não teve, indubitavelmente, qualquer participação na sua concretização.

Além disto, apesar da funcionalidade das coisas existentes, de sua justificação em seus precedentes, tal fato não significa que todas elas devessem necessariamente existir, como se, por exemplo, Van Gogh “devesse” pintar uma cadeira amarela num certo dia de sua existência em Arles. Pois ele poderia, perfeitamente, ter selecionado qualquer outro tema como objeto de sua arte naquele momento. Tal fato, entretanto, não diminui a funcionalidade da obra efetivamente realizada nem a desjustifica diante dos elementos que a precederam e tornaram possível. Trata-se, neste caso, de uma escolha consciente. Deparamo-nos aqui com uma linha demarcando a fronteira entre a interação natural e a opção inteligente: com a primeira possibilidade tudo acontece necessariamente. Com a segunda, tudo depende da escolha de um ser consciente. Logo, ao nos vermos frente a resultados práticos que só podem ser atribuídos à esta última, pensamos imediatamente no homem criativo como seu agente eficaz. No entanto, também neste caso existem exemplos numerosos de objetos e situações complexas no universo anteriores e além do alcance da ação puramente humana, objetos e situações que não tinham necessariamente que existir e que apontam para a necessidade de uma escolha consciente - tal como a cadeira de Van Gogh.

Deus Existe? O Que e Quem é Ele? - Parte 4


4 - Prova Psicológica da Existência de Deus 2


O argumento ontológico que baseia a prova da existência de Deus na perfeição de sua ideia foi primeiramente apresentado por S. Anselmo (1035-1109). Diz, em suma, que a existência deve ser necessariamente atribuída a ideia (essência) de um ser perfeitíssimo. Descartes foi um pouco além, afirmando que o fato de existir na mente humana a ideia de um ser perfeitíssimo só pode ser o resultado da existência deste próprio ser. O problema com estes raciocínios, apesar de estar contida neles uma grande verdade, começa com as próprias palavras com que são colocados: “argumento” ontológico ou “prova” ontológica. Quanto à esta última palavra, “prova”, seria válida se tivesse o sentido de uma experiência, mas não como o resultado da construção de um silogismo, pois a verdadeira prova da existência de Deus só pode brotar naturalmente de uma experiência na consciência do indivíduo. Tal prova pode ser dividida em dois tipos, um deles positivo e o outro negativo. No primeiro tipo, o qual podemos apodar de “prova existencial positiva”, o sujeito da experiência deve examinar-se e ver se consegue pensar em Deus sem que a este pensamento esteja associada à consciência de sua existência. Para a efetividade da experiência não é necessário que a palavra “Deus” seja definida com precisão, porque a simples menção da palavra “Deus” é suficiente para despertar na consciência individual a ideia da substância e essência do ser supremo, e nada mais precisa ser dito a respeito. Portanto, havendo se colocado este pensamento a respeito de Deus, examine-se o indivíduo com objetividade para ver se quando nele pensa não o faz como a um ser existente – da mesma forma como sempre pensa a respeito de si próprio ou de uma pessoa do seu conhecimento particular. Quer dizer, quando alguém pensa objetivamente a respeito de si mesmo é impossível que não esteja convicto da própria existência. Mas se alguém pensar a respeito de si mesmo não objetivamente pode fantasiar que é não-existente – não, porém, sem estar consciente de que tudo não passa de uma fantasia de sua mente. Da mesma forma, pensando não-objetivamente pode-se fantasiar a não-existência de Deus; porém, desde que não se pretenda enganar a si mesmo, sabe-se que se está apenas fingindo. É impossível pensar em Deus da forma mais objetiva sem estar consciente de que ele existe.

A segunda prova pode ser chamada de “prova existencial negativa” e consiste em esforçar-se por pensar em Deus, de forma não-passional, como não existente, observando sempre o critério da objetividade. Verificar-se-á que assim como é impossível que alguém pense a respeito de si mesmo como não-existente, ficando ao mesmo tempo convicto da veracidade deste pensamento, da mesma forma não se pode pensar em Deus como não-existente estando ao mesmo tempo convicto da veracidade deste pensamento, a não ser que se caia na armadilha da passionalidade, o que revela a falsidade da própria convicção. Refiro-me aqui a espécie de passionalidade que é causada em nós por seres vivos que julgamos dotados de inteligência.

Uma terceira prova ainda mais concludente que as duas primeiras é possível, a qual pode ser chamada de “prova existencial definitiva”, mas que possui um único inconveniente, que é o de não poder ser realizada de forma planejada; ou seja, esta prova independe da vontade da pessoa que vai realizá-la – mas tal é, justamente, o seu mérito. As duas provas anteriores se ressentem da dificuldade de se colocar no estado de completa objetividade necessário para que sejam feitas da forma mais adequada, uma vez que o indivíduo se condiciona para realizá-las e nesse condicionamento surge uma oportunidade para o afloramento de preconceitos. Consiste pois esta terceira prova em que alguém procure, num exame criterioso de suas memórias, analisar se cada vez que o pensamento de Deus surgiu em sua mente tal acontecimento esteve associado a um estado de atividade ou de passividade. Constatar-se-á que sempre que se pensou em Deus no passado se o fez de duas maneiras: se de forma ativa, quando estávamos dirigindo os nossos pensamentos de uma maneira consciente, tal acontecimento se deu nas ocasiões em que filosofamos a respeito de sua essência, ou seja, tentando descobrir quais são os seus atributos, e nestas ocasiões sempre nos dirigimos naturalmente a ele como a um ser dotado de existência. Se de outra forma, ou seja, nas vezes em que o pensamento de Deus surgiu espontaneamente na nossa consciência, estivemos sempre dominados pelo sentimento da paixão, o que evidencia que nossas considerações se dirigiam a um ser dotado de existência, uma vez que é impossível ser passional com respeito a uma simples quimera.

Além de examinar suas memórias, o que não é uma coisa fácil para muitas pessoas, o indivíduo que pretende ter certeza a respeito desta questão da existência de Deus, ainda no âmbito desta terceira prova, deve adotar a atitude de examinar o seu estado mental cada vez que, no futuro, o pensamento de Deus surgir espontaneamente na sua consciência. Deve-se adotar este auto-exame nestas ocasiões como uma verdadeira norma de vida – com certeza a mais importante que se pode adotar.