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18.1.13

Parábola de Dois Reinos



Havia antigamente, em certo país oriental, um homem de grande sabedoria, já avançado em dias, o qual era considerado por seus concidadãos como um modelo de virtude, havendo dado inúmeras provas de dedicação à sua pátria, até mesmo com o sacrifício de seus bens pessoais, e arriscando a própria vida. Certo dia, andando pelos campos próximos à aldeia onde morava, ele encontrou uma caverna meio oculta por arbustos. Adentrando-a para desfrutar de sua sombra, percebeu ser ela bem maior do que julgara de início, e decidiu explorá-la, para conhecer sua real dimensão.

Providenciou uma tocha com um galho grosso e seco de árvore e adentrou a caverna, encaminhando-se para o seu interior. Deparou-se, surpreso, lá no fundo, com uma abertura de pequeno diâmetro na parede de rocha úmida, através da qual podia passar confortavelmente. Introduziu-se na passagem, e, após andar alguns metros, encontrou-se em uma câmara espaçosa. Examinando-a com atenção, descobriu ao fundo dela grande quantidade de enormes tonéis, uns ao lado dos outros. Aproximou-se e, ao iluminá-los e olhar para dentro deles, quase não pôde acreditar na visão que se apresentava diante de seus olhos ofuscados: estavam os tonéis, todos eles, cheios quase até as bordas de pedras preciosas que lhe pareceram ser da mais alta qualidade. Encontravam-se, ali, diamantes, pérolas, safiras, esmeraldas... O velho homem calculou rapidamente que estava depositada naqueles tonéis uma fortuna que sobrepujava a riqueza toda do país onde vivia, se ela pudesse ser reunida em um só lugar.

Retirando-se dali, o homem tratou logo de vender todos os seus bens e, com o dinheiro apurado, comprou aquela campo através de uma oferta irrecusável, ficando de posse do tesouro escondido na caverna. Ciente de que o país do qual era cidadão atravessava um período de grande dificuldade, estando a maioria dos seus habitantes vivendo em profunda pobreza, que chegava as raias de uma miséria generalizada, decidiu utilizar a riqueza que lhe chegara de forma tão inesperada às mãos para mudar definitivamente a sorte de seus patrícios, objetivo perfeitamente alcançável, tal a magnitude da fortuna de que se fizera senhor.

Entretanto, aquele homem sábio compreendia, e tal fato pesava-lhe no coração, que a situação deplorável a que chegara o seu país devia-se principalmente aos mesquinhos hábitos e práticas de seus compatriotas, os quais eram dados a toda sorte de vícios e artimanhas. Estavam sempre dispostos a ludibriarem uns aos outros, tendo sido, ao fim e ao cabo, derrotados e conduzidos à extrema miséria por sua própria desonestidade. Considerou, então, que não estaria de acordo com a suprema justiça, simplesmente, distribuir entre aqueles homens mal-intencionados o tesouro que havia adquirido, pois eles não eram, certamente, por si mesmo merecedores de tão grande dádiva. Por este motivo, concebeu um plano, de acordo com o qual aqueles que recebessem certa quantidade de pedras preciosas, suficiente para transformá-los em cidadãos abastados, teriam de demonstrar arrependimento de seu mal comportamento e uma confiança absoluta no seu benfeitor, isto é, nele mesmo. Tal confiança seria, por assim dizer, a chave que lhes abriria as portas para uma vida nova, servindo como um atestado de que eles ainda se mostravam dispostos a crer em algo, ou seja, na palavra de um único homem; como se estivessem prontos a admitir que a espécie humana ainda tivesse esperança; que ela possuía, ainda, uma chance de ser redimida de sua descrença e malignidade.

O plano foi arquitetado da seguinte maneira:

Primeiramente, o sábio homem determinou certa quantidade de joias que seriam ofertadas a cada um que se mostrasse digno, por sua aceitação das condições que seriam por ele determinadas, de recebê-las. A quantidade seria igual para todos e suficiente para tornar um homem miserável em um homem rico num abrir e fechar de olhos. Somente três condições haveria que seriam apresentadas para cada um a fim de qualificá-lo para receber aquela dádiva.

Em primeiro lugar, todo aquele que desejasse ter a sua parte na riqueza oferecida deveria vender tudo o que possuísse, desfazendo-se dos seus bens e entregando o montante do dinheiro recebido pela venda para o seu benfeitor. Tal exigência era absolutamente a mesma para todos. Tanto aqueles que possuíam apenas uma velha túnica e um par de sandálias rotas, quanto aqueles que eram proprietários de terras, casas, jumentos, campos... todos deveriam, igualmente, vender tudo e entregar o valor obtido.

E ninguém poderia reclamar de tal sistema, pois, independente do que cada um tivesse de vender, o que receberia em troca seria muitíssimo superior ao que deveria entregar. Até mesmo os homens mais ricos daquele país participariam com lucro substancial na transação, tal era o valor da quantidade de joias que havia sido destinada para cada um que aceitasse participar; e nem mesmo os cidadãos mais abastados estavam impedidos de participarem.

Na verdade, tal sistema proporcionaria aos habitantes daquela terra a oportunidade de viverem em uma sociedade igualitária e rica, tal como se todos tivessem nascido de novo para uma vida melhor em um mundo ideal. Quando, afinal, a totalidade dos moradores do país tivesse entregado o valor de suas posses ao homem sábio, todos estariam igualmente abastados e satisfeitos, cada um não possuindo mais do que o seu próximo, independentemente de quem eram ou do que possuíam anteriormente.

A segunda característica do plano era a condição de que cada pessoa só receberia a sua parte após a proposta ser apresentada para todos os habitantes do país, proporcionando a cada um a oportunidade de aceitá-la ou não. E, para que este resultado fosse atingido o mais rápido possível, o homem sábio determinou que todo aquele que viesse a concordar com as condições apresentadas receberia um documento com o seu selo particular, autorizando-o a ser, ele mesmo, um divulgador daquele plano. Poderia, então, apresentá-lo aos outros homens para que também estes o aceitassem e tivessem a oportunidade de serem seus divulgadores. Desta maneira, se o primeiro que concordasse com as condições do plano pudesse convencer um mínimo de dois outros homens a aceitá-lo, então, estes dois conseguiriam persuadir outros quatro, estes conseguiriam persuadir mais oito, e assim por diante, em progressão geométrica. Logo, após um curto espaço de tempo, todos estariam de posse de sua parte no tesouro e desfrutando a vida no reino do velho homem sábio.

A terceira condição estipulava que os habitantes daquele país deveriam aceitar o velho homem sábio como seu rei, comprometendo-se a guardar as leis, ordenanças e normas, todas elas muito justas e apropriadas, que ele iria colocar em uma nova constituição para reger o país.

Em seguida, para dar inicio ao procedimento de apresentar a sua proposta aos habitantes daquele país, o velho chamou seu único filho, incumbindo-o de ser o primeiro a desencadear o processo que terminaria por alcançar todas as pessoas daquela terra. Era, este seu filho, um jovem de grandes qualidades, em tudo semelhante ao seu pai, ao ponto de todos dizerem que quem o via era como se estivesse vendo o seu próprio pai, e a quem este último decidira colocar na posição de maior destaque em seu futuro reino. Enviou-o, pois, para o meio da plebe miserável que constituía a grande maioria de seus concidadãos e deixou-se ficar no seu campo, no qual construíra uma mansão maravilhosa, exatamente sobre o lugar onde estava a caverna com o tesouro escondido, a aguardar os resultados do seu projeto.

Logo, tendo vestido uma velha túnica e calçado um par de sandálias rotas (para não parecer diferente das pessoas às quais iria apresentar-se), saiu o jovem para o meio do povo, a percorrer a terra. Tentava convencer os habitantes de seu país a venderem tudo o que possuíam e entregar-lhe o dinheiro recebido, a fim de tornarem-se proprietárias de uma parcela do tesouro de seu pai. Andava a pé pelas estradas empoeiradas e pedregosas, sob o sol escaldante das regiões áridas, sentindo na pele o frio das madrugadas ao relento, e dormindo, quase sempre, estirado sob alguma velha figueira à beira do caminho.

Havendo ele partido cheio de alegria e confiança, logo constatou não ser das mais fáceis a tarefa que o pai lhe confiara. Pouquíssimas pessoas acreditaram, de inicio, em suas palavras, apesar de que, ao saberem da possibilidade de ficarem ricas de uma hora para outra, multidões o cercavam buscando ouvir o que ele tinha para dizer.

Contudo, a grande maioria dos que iam até ele para escutar a sua mensagem não estava disposta a abrir mão de tudo o que possuía para ser merecedor de receber, no futuro, a sua quantidade de joias. Alguns até mesmo desconfiavam de que estavam sendo enganados, pois eram, eles mesmos, enganadores contumazes, não acreditando no que o jovem dizia a respeito das intenções de seu velho e bem conhecido pai, de quem ele era o retrato fiel e de quem trazia uma declaração confirmada com o seu selo particular, impossível de forjar. Outros, apesar de acreditarem, não queriam trocar o pouco que tinham no presente por algo que ainda iriam receber no futuro, pois estavam apegados demais as suas posses.

Tal fato entristeceu muitíssimo aquele jovem, ao tomar conhecimento, tão claramente, da incredulidade de seus patrícios. Apesar disto, ele continuou em sua missão, determinado a cumpri-la de acordo com a vontade de seu pai. De início, conseguiu convencer somente doze homens, os quais transformou em um pequeno exército treinado para levar as boas novas até os rincões mais escondidos de seu país, após haverem passado um bom tempo em sua companhia, seguindo-o por onde quer que fosse e aprendendo dele tudo sobre o assunto. Estes homens iam e voltavam continuamente a ele, trazendo-lhe relatórios do progresso obtido. Contavam-lhe, amiúde, que haviam sido vítimas da descrença de seus concidadãos, colocados muitas vezes em prisões, e até mesmo apedrejados pela turba ignara e desconfiada.

Chegou, afinal, o dia em que o jovem deveria voltar e apresentar-se diante de seu velho pai, para apresentar um relatório com os resultados da missão que lhe fora confiada. Ao vê-lo aproximar-se, o sábio homem muito se alegrou, julgando haver chegado o tempo em que, de acordo com seus cálculos, poderia começar a distribuição de seu tesouro e transformar, desta forma, a sorte daquela terra, iniciando-se nela, a partir daquele momento, uma era dourada de abundância, paz e justiça. Entretanto, grande foi a sua decepção ao saber que somente um número pequeno de seus concidadãos havia crido nele e aceitado o seu oferecimento.

Irou-se grandemente o velho sábio contra o seu próprio povo, por causa da sua incredulidade e dureza de coração. Então, chamando a sua presença os doze que haviam crido primeiramente, e junto deles o pequeno número de pessoas que eles haviam logrado convencer - não mais do que umas cento e vinte almas - encarregou-as de, atravessando o rio que demarcava a fronteira de seu país, dirigir-se à nação vizinha, levando-lhe a sua proposta. Era, esta nação, ainda mais miserável que a sua, cujos habitantes viviam num estado completamente miserável, embora fossem numerosos. Grassavam nesse país a fome e a imoralidade, ao ponto de eles trocarem seus próprios filhos entre si para comerem-nos, pois não tinham não tinham coragem, cada qual, de comer seu próprio filho. Desta forma, determinou o velho e sábio homem que os seus discípulos se dirigissem aquele país, apresentando seu plano a todos que encontrassem pelos caminhos e nas cidades, dando atenção especial aos mendigos, cegos, aleijados, mudos, enfermos e miseráveis de toda espécie.

Imediatamente, partiram os homens, temendo em seus corações que a tarefa fosse muito difícil, pois raciocinavam: "Se em nossa própria terra não fomos acreditados mas perseguidos, quão mais dura não será para nós a situação entre pessoas de outro país, no qual seremos estrangeiros sem direito algum?" Entretanto, logo o seu ânimo começou a mudar, pois muitas das pessoas que habitavam naquela terra acolhiam de bom grado a proposta que lhes era apresentada, em nada duvidando, mostrando-se, na verdade, maravilhadas e agradecidas com a possibilidade de melhorarem de forma tão radical as suas sortes.

Quase todos os habitantes daquele país já conheciam a fama do velho homem sábio e, ao ficarem sabendo que era ele quem lhes garantia o recebimento das joias, tratavam de vender rapidamente tudo o que possuíam, entregando o dinheiro recebido para os seus representantes. E assim, em pouco tempo, estes últimos já haviam conquistado um número suficiente de pessoas para dar início a partilha do tesouro.

Ao mesmo tempo em que os acontecimentos se desenvolviam de forma tão maravilhosa no país vizinho, do outro lado da fronteira algo terrível se passava.
Tendo enviado os seus homens, o velho sábio sentiu seu coração constranger-se, amargurado por causa de seu próprio povo que havia desperdiçado tão esplêndida oportunidade de sair da miséria na qual se encontrava imerso. Resolveu, então, fazer uma última tentativa para ajudá-los, ordenando que seu filho fosse mais uma vez ao encontro de seus concidadãos, enquanto seus discípulos trabalhavam na nação vizinha.

Obedientemente, partiu o jovem como da primeira vez, para anunciar as boas novas ao povo de sua terra. Desta feita, porém, trataram-no os homens daquele lugar pior do que da primeira vez, maltratando-o ao extremo e perseguindo-o de aldeia em aldeia, até que, havendo espalhado boatos perversos a seu respeito e lhe imputado a fama de subversivo, tendo ele chegado à mais importante cidade daquele país, as autoridades lançaram-lhe mão, colocando-o no cárcere e deixando-o lá, incomunicável, por vários dias. Logo, improvisaram um julgamento com o intuito de condená-lo, e, tendo arregimentado falsas testemunhas, as autoridades e o povo em conluio acusaram-no de sedição, sentenciando-o à prisão perpétua - o que, prontamente, trataram de executar, não sem antes açoitarem o jovem, furiosamente.

Tendo chegado a triste notícia aos ouvidos do pai daquele jovem, ele ficou extremamente decepcionado, e lamentou-se por vários dias, vestido de pano de saco e lançando cinzas sobre a própria cabeça, como era costume naquele país, e jejuando por todo o tempo. Quando já se ia definhando, chegaram os homens que havia enviado à nação vizinha relatando o pleno sucesso que haviam alcançado no cumprimento de sua missão. Isto fez com que o velho homem se reanimasse, apesar de seu coração estar ligado ao filho detido na masmorra sombria e úmida onde se encontrava acorrentado. Então, havendo se alimentado um pouco, chamou os doze que haviam primeiramente crido, e falou-lhes: "Ide àquela terra de onde viestes a pouco e reparti a cada um dos seus habitantes que acreditaram na minha palavra a sua parcela do meu tesouro. Narrai-lhes também a minha desventura, a ingratidão de meus concidadãos e o estado deplorável em que agora se encontra o meu amado filho".

Voltaram eles, imediatamente, pelo mesmo caminho por onde haviam passado antes, conclamando todos os portadores do documento selado que os qualificava como proprietários de uma parcela na fortuna do velho homem e entregando-lhes a sua cota. Com isto, os naturais daquela terra se alegraram grandemente, pois seu infortúnio acabara e o futuro já não parecia ameaçador. Entretanto, ao serem informados da desgraça que sucedera ao seu benfeitor, entristeceram-se sobremaneira, indignando-se muito contra os habitantes do país vizinho.

Então, tomando conselho entre si, concluíram que não poderiam deixar de fazer tudo o que estivesse ao seu alcance a fim de ajudar aquele que tanto os havia beneficiado, mesmo que para isto tivessem de colocar em risco a sua própria existência. Logo, elegendo líderes dentre eles, trataram de formar um exército, colocando sobre si mesmos chefes de cem, de mil e de dez mil homens, e entregando o comando para os doze discípulos do velho homem sábio. Compraram também, com a contribuição voluntária que todos apresentaram do dinheiro que haviam recebido, armas sofisticadas, as mais eficientes que puderam encontrar em outros países mais adiantados, até mesmo para compensar o fato de haver dentre eles muitas pessoas com deficiências físicas, porquanto haviam atendido ao plano do velho homem grande quantidade de cegos, surdos, paralíticos e portadores de vários outras deficiências. Cada um contribuiu para os gastos com uma pequena parcela de sua fortuna recém-adquirida.

Bem armados e equipados, marcharam em direção ao país vizinho, atravessando a sua fronteira. Enquanto avançavam, iam conquistando, uma a uma, todas as cidades por onde passavam, escravizando seus habitantes; e matavam a todos os que lhes ofereciam resistência. Contudo, muitos dos habitantes daquele país, por aquele tempo, já haviam se arrependido de não haverem aceitado a oferta do velho homem sábio, estando cansados das dissoluções de seus compatriotas, e por este motivo eram hostilizados pelos outros. Havendo se reunido em um partido que se opunha àqueles, tinham sido por eles aprisionados, juntamente com o jovem, filho do velho homem. Saudavam, portanto, a chegada do exército que vinha para por um fim àquele sistema degenerado, desejando juntar-se a ele. Os homens chegaram, por fim, àquela magnífica cidade onde o filho do seu benfeitor se encontrava encarcerado, juntamente com os que se haviam arrependido.

Levantaram cerco contra ela, conclamando os seus habitantes à rendição, porquanto eles haviam decidido resistir, confiados na inexpugnabilidade do lugar onde viviam, que era cercado de altas e grossas muralhas, e nas grandes quantidades de alimento estocadas em seus armazéns. Tão confiantes estavam eles, que enquanto a cidade permanecia sitiada entregavam-se de forma desenfreada aos prazeres espúrios que tanto amavam, realizando festas e banquetes nababescos que se prolongavam pelas noites até o alvorecer, nos quais grandes quantidades de vinho e outras bebidas eram consumidas, e sob cujo efeito praticavam toda sorte de dissoluções e abominações.

Enquanto o cerco se prolongava, o general dos sitiantes, havendo observado um rio que adentrava sob as muralhas, teve a brilhante ideia de desviar o seu curso e invadir a cidade pelo leito seco. Ordenou, então, a seus soldados que escavassem um canal a dois quilômetros de distância da cidade, fora das vistas de seus habitantes, próximo ao leito do rio e indo em direção a um grande lago que se havia secado completamente. Quando o canal já estava completamente escavado, numa noite em que na cidade as pessoas se divertiam em mais uma de suas intermináveis festas, os sitiantes abriram a separação que havia entre o rio e o canal, e as águas fluíram impetuosamente em direção ao lago vazio, que se foi enchendo gradativamente. E, quando o nível das águas já permitia a passagem tranquila de homens armados e equipados, sorrateiramente o exército adentrou a cidade, cujos habitantes, pegos totalmente de surpresa, entorpecidos que estavam pelo vinho e pela orgia, não esboçaram nenhuma reação apreciável. Em pouco tempo, a cidade estava nas mãos dos invasores, os quais trataram de ir logo até a fortaleza onde o jovem se encontrava detido, libertando-o de seus grilhões, e também os seus companheiros. Encontrava-se ele num estado deplorável, devido a fome e aos maus tratos que lhe haviam sido impostos; mesmo assim, alegrou-se muito em vê-los e ao ser inteirado de tudo o que havia acontecido.

Depois disto, dirigiram-se à cidade onde morava o velho homem sábio, que se sentiu grandemente confortado e feliz por reencontrar o seu amado filho, são e salvo. Naquele mesmo dia, todos, de comum acordo, elegeram-no, ao velho homem, rei sobre aquele país que haviam conquistado, bem como sobre sua própria nação. Seu filho foi, então, colocado na posição de primeiro-ministro, o que lhe conferia poderes absolutos para governar a terra como bem quisesse.
Ordenou, então, o rei que durante vários dias houvesse uma festa de comemoração em todo aquele país e no país vizinho, para cuja realização destinou uma considerável parte de sua fortuna pessoal. E foi aquela uma festa magnífica, tal qual jamais havia acontecido em qualquer outro lugar ou época, nem jamais haverá! Milhares e milhares de bois, ovelhas e aves foram abatidos, frutas exóticas e saborosíssimas vieram, trazidas de distantes países em grandes quantidades, e havia vinho finíssimo em abundância como um rio a jorrar. Mandaram chamar em todas as terras conhecidas os mais talentosos músicos para alegrá-los enquanto durasse a comemoração.

E quando celebravam aquela festa suntuosa, como nunca houve igual nem jamais haverá enquanto houver sol e lua, os naturais do país, que haviam sido conquistados, serviam-nos às mesas, abanavam-nos à sombra dos dosséis montados ao ar livre e carregavam-nos em liteiras adornadas, para onde quisessem ir.

Tal situação perdura até os dias de hoje naqueles dois reinos, com os habitantes originais da terra a servirem os seus conquistadores, e estes a viverem regaladamente sob a direção do velho homem sábio e de seu filho amado. E tudo, na verdade, que lhes havia sido exigido para merecerem tão grandes dádivas, fora que cressem em sua palavra e aceitassem suas leis e ordenanças!

Um comentário:

José Guimarães disse...

Essa história tem tudo para ser interessante.

Lerei o segundo capítulo outro dia, pois hoje minha conexão é por tempo limitado.

Tomara que o final seja diferente do que estou pensando agora.

Com a paz de Jesus.